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sábado, 20 de junho de 2015

Porque sois tão medrosos?


Vagueia, da minha vida, a barca,
Entre as sombras da noite e escuridão
E de terra não vejo marca,
Encontro-me num mar de imensidão.



A menor procela me pode afundar,
Mergulhando meu barco no turbilhão;
Se, ó Deus, por mim não estivésseis a velar,
A cada instante da vida, a cada ocasião.

Entre o estrondo da sondas, ululante
Navego tranquila e como quem confia,
E olho, infantil para o mais distante,
Porque vós, ó Jesus, sois o meu Guia.

À minha volta o terror do mar e o pavor
Mais que horror da minh’alma, a serenidade.
Porque quem convosco está não perecerá, Senhor,
Disso me assegura a divina caridade.

Cercam-me perigos, muitos em voragem,
Mas não temo, olho para o céu estrelado
E navego com alegria e coragem,
Como convém a um coração purificado.

Se a barca da minha vida vai em serenidade,
É, acima de tudo, por uma razão:
Por serdes vós, ó Deus, o meu guardião.
Eis meu testemunho de inteira humildade.

Santa Faustina Kowalska (1905-1938), religiosa
Diário (Fátima, 2003), 1322