segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Arvoreando


Uma das coisas que eu acho fascinante em
Jesus, é a capacidade que ele tinha de encontrar
no meio da multidão, pessoas.
Ele era capaz de reconhecer em cima de uma
árvore um homem, e descobrir nele um amigo.

Bonito uma amizade que nasce a partir da precaridade,
quando você chega desprevenido, o outro viu o que
você tem de pior, e mesmo assim, ele se apaixonou
por você.

Amor concreto, cotidiano, diário.
Jesus se apaixonava assim pelas pessoas e as
tornava suas amigas.
As trazia para perto Dele.

É fascinante olhar para a capacidade que esse
homem, que esse Deus tem, de investigar a
miséria do outro e encontrar a pedra preciosa
que está escondida.

Isso é Páscoa, isso é ressureição.
É quando no sepulcro do nosso coração alguém
descobre um fio de vida, e ao puxar esse fio,
vai fazendo com que a gente se torne melhor.

Não há nada mais bonito do que você ser
achado quando está perdido.
Não há nada mais bonito do que você ser
encontrado, no momento que você não sabe
para onde ir e não sabe nem onde está...

O amor humano tem a capacidade de ser o
amor de Deus na nossa vida por causa disso:
porque ele nos elege.

Por isso que é bom termos amigos, porque na
verdade, as pessoas amigas antecipam no
tempo, aquilo que acreditamos ser eterno...


Quando elas são capazes de olhar para nós e
descobrir o que temos de bonito.
Mesmo que isso, às vezes costuma ficar
escondido por trás daquilo que é precário.


Por isso agradeço muito a Deus pelos amigos
que tenho.
Pelas pessoas que descobriram no que eu
tenho de pior, uma coisinha que eu tenho de
bom, e mesmo assim continuam ao meu lado,
me ajudando a ser gente, 
me ajudando a ser mais de Deus, 
me ajudando a buscar dentro de mim, 
a essência boa que acreditamos que
Deus colocou em cada um de nós.

Ter amigos, é como "Arvorear", lançar galhos,
lançar raízes... para que o outro quando olhar
a árvore, saiba que nós estamos ali...

Que nós permanecemos para fazer sombra,
para trazer ao outro, um pouco de aconchego
que às vezes ele precisa na vida!...

Padre Fábio de Melo


domingo, 8 de dezembro de 2013

Me perdoe!


" Meu Deus, me perdoe pela pressa quando falo contigo. 

Me perdoe por todos os momentos que pude agradecer, mas não agradeci. 

Me perdoe por dar mais tempo a internet, do que a Você. 

Me perdoe por palavras que poderia dizer para confortar alguém, e não disse. 

Me perdoe por comprar as minhas coisas e não ofertar a Ti. 

Me perdoe pelas músicas que ouço e que não acrescentam nada em minha fé. 

Me perdoe, Senhor, por estar mais preocupada comigo mesma do que com seu Reino. 

Me perdoe pelo meu egoísmo, pela minha preguiça, pelos meus pensamentos, pela minha gula... 

Me perdoe por colocar tudo em suas mãos, mas me preocupar mesmo assim. 

Eu te amo".


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Oração

Senhor, nosso Deus, que se fez humano e menino, para melhor ser Deus e estar ‘no meio e nós’, fazei que possamos revelar no cotidiano, por sonhos, desejos, palavras e gestos, a centelha divina que nos faz imagem e semelhança da Trindade e sermos, assim, sinal vivo da presença do vosso amor no meio dos homens, nossos irmãos, em especial nos lugares e entre aqueles que mais necessitam desse amor.

Senhor nosso Deus, que, por ser amor, quis ser Trindade, e que, por ser Trindade é, desde sempre, família; abençoa nossas famílias.
Abençoai a cada um de nós que inicia  nessa caminhada.

Semeai em nosso coração os dons da fé, da esperança e da caridade. E que os frutos sejam abundantes na seara da nossa vida.
Ensinai-nos a crer para ver. 
E que, vendo e crendo, tenhamos a coragem de sermos testemunhas do vosso amor, assim como vosso servo, o Papa Francisco, com quem e por quem rezamos a vós.
Abençoai a nossa comunidade e a cada um de nós, ensinando-nos a amar como nos amais, sem cobranças ou condições, a não ser o próprio amor. Amém!

Parábola - A sentinela


Era uma vez uma pequena e antiga povoação, presidida por um castelo ainda mais velho, que estavam situados na fronteira de um país distante, ao lado de um grande deserto. Tanto o povo como o castelo eram muito tristes, porque raramente passava alguém perto deles. De vez em quando pernoitavam por ali estranhas caravanas ou viajantes solitários, mas, no fim de descansarem e de se alimentarem, partiam de novo, deixando os habitantes da povoaçãozita e do castelo com a sua tristeza.

E assim, até que um dia chegou um mensageiro do rei da nação e informou de que, na corte, se tinham recebido noticias de que Deus em pessoa vinha àquele País, se bem que, ainda não se soubessem que cidades e zonas visitaria. Mas era provável ou, pelo menos, possível que passasse pela nossa povoaçãozita. Por isso, o povo e o castelo deviam preparar-se para receber Deus tal como Ele merecia.

Isto encheu de entusiasmo as autoridades, que mandaram reparar as ruas, limpar as fachadas, construir arcos triunfais, encher de tapeçarias e colgaduras as varandas. E, sobretudo, nomearam como sentinela o habitante mais nobre da aldeia. Esta sentinela tinha como obrigação viver na torre mais alta do castelo e dali olhar constantemente o horizonte, para dar logo que possível a notícia da chegada de Deus.

A sentinela recebeu o encargo com orgulho: nunca em sua vida tinha feito algo tão importante. E dispôs-se a permanecer firme na torre com os olhos bem abertos. “Como será Deus”? perguntava a si mesmo. “E como virá? Talvez com um grande exército? Quem sabe se com uma corte de carros majestosos"? Nesse caso, dizia-se, será fácil adivinhar a sua chegada quando ainda estiver longe.

Durante as vinte e quatro horas do dia e da noite não pensava noutra coisa, permanecia em pé e com os olhos bem abertos. Mas, tendo passado alguns dias e noites, o sono começou a importuná-lo e pensou que não aconteceria nada se desse umas “cabeçadas” porque, como Deus viria precedido por som de trombetas, nesse caso, despertaria.

Passaram não só dias, mas também semanas e, as pessoas da pequena povoação regressaram à sua vida diária e começou a esquecer-se a vinda de Deus. A próprio sentinela dormia já tranquila as noites inteiras e nem se dedicava a pensar só naquela espera porque pensava em todas as outras coisas.

Passaram não só as semanas, mas também os meses e inclusive os anos e ninguém na povoação ligava importância àquele anúncio. Inclusive, num ano de muita fome, a povoação foi desfilando, uns atrás dos outros para terras mais prósperas. Ficou só a sentinela, ainda na torre, esperando com uma esperança muito débil. Passaram exércitos e caravanas que, por uns momentos, alumiavam os seus sonhos, mas nenhum era o exército ou as caravanas de Deus.

E a sentinela começou a pensar: “Para que vem Deus? Este povo nunca teve interesse nenhum e agora, sem quase ninguém, muito menos. Se viesse porque ficaria precisamente neste castelo tão insignificante? Mas, como lhe deram essa ordem e como essa ordem lhe tinha levantado a esperança, a sua decisão de permanecer era mais forte que as suas dúvidas.

Até que uma vez, deu-se conta de que, com o passar dos dias e dos anos, estava a envelhecer e as suas pernas resistiam a subir as escadas da torre. Sentia os seus olhos fecharem-se de cansaço, apenas via a morte a aproximar-se. E não pôde evitar que da sua garganta saísse uma espécie de grito: “Passei toda a vida esperando a visita de Deus e morro sem vê-lo”. Então, justamente nesse momento, ouviu uma voz muito terna por detrás de suas costas. Uma voz que dizia: “Mas não me conheces”? Então a sentinela, mesmo sem ver nada, saltou de alegria dizendo: “Oh, já está aqui! Porque me fizeste esperar tanto? E por onde vieste que não te vi”? Ainda com maior doçura a voz respondeu: “Sempre estive perto de ti, a teu lado, mais ainda: dentro de ti. Precisaste de muitos anos para dares conta disso. Mas agora já o sabes. Este é o meu segredo: estou sempre com os que me esperam e só os que me esperaram, podem ver-me”.

Então a alma da sentinela encheu-se de alegria. Velha e quase morta, como estava, voltou a abrir os olhos e ficou olhando, amorosamente, o horizonte.

Esta é a fábula de que lhes falei ao princípio. O texto que São Lucas escreveu no capítulo 18,8 de seu Evangelho que tanto me fez tremer ao ver a paganização do Natal, é este: “Mas, quando vier o Filho do Homem, encontrará fé na terra?” Porque pode acontecer que, quando voltar, já não haja ninguém na torre.

J. LUIZ MARTIN DESCALZO

domingo, 1 de dezembro de 2013

E eu, o que espero?


Hoje, primeiro domingo de Advento, a Igreja começa um novo Ano litúrgico, um renovado caminho de fé que, por um lado, faz memória do evento de Jesus Cristo e, por outro, se abre ao seu cumprimento final. 
E é precisamente desta dúplice perspectiva que vive o Tempo de Advento, olhando quer para a primeira vinda do Filho de Deus, quando nasceu da Virgem Maria, quer para o seu retorno glorioso, quando vier «para julgar os vivos e os mortos», como dizemos no Credo. 
Sobre este tema sugestivo da «expectativa» agora gostaria de meditar brevemente, porque se trata de um aspecto profundamente humano, em que a fé se torna, por assim dizer, um só com a nossa carne e o nosso coração.

A expectativa, a espera é uma dimensão que atravessa toda a nossa existência pessoal, familiar e social. 

A espera está presente em mil situações, desde as mais pequenas e banais, até às mais importantes, que nos empenham total e profundamente.
Entre elas, pensamos na espera de um filho da parte de dois esposos; 
na espera de um parente ou de um amigo que vem visitar-nos de longe; 
pensamos, para um jovem, na expectativa do êxito de um exame decisivo, ou de um colóquio de trabalho; nos relacionamentos afetivos, na espera do encontro com a pessoa amada, da resposta a uma carta, 
ou do acolhimento de um perdão... 

Poder-se-ia dizer que o homem está vivo enquanto espera, enquanto no seu coração estiver viva a esperança. 
É das suas expectativas que o homem se reconhece: a nossa «estatura» moral e espiritual pode ser medida a partir daquilo que aguardamos, daquilo em que esperamos.

Portanto, cada um de nós, especialmente neste Tempo que nos prepara para o Natal, pode perguntar-se: e eu, o que espero? 
Para que propende, neste momento da minha vida, o meu coração? 
E esta mesma interrogação pode fazer-se a nível familiar, comunitário e nacional. 
O que esperamos, juntos?
O que une as nossas aspirações, o que as liga? 

No tempo precedente ao nascimento de Jesus, era extremamente intensa em Israel a espera do Messias, ou seja, de um Consagrado, descendente do rei David, que finalmente teria libertado o povo de toda a escravidão moral e política, instaurando o Reino de Deus. 
Mas jamais ninguém teria imaginado que o Messias pudesse nascer de uma jovem humilde como era Maria, noiva do justo José. 
Nem sequer ela mesma jamais teria pensado, e no entanto no seu coração a expectativa do Salvador era tão grande, a sua fé e a sua esperança eram tão fervorosas, que Ele pôde encontrar nela uma mãe digna. 

De resto, foi o próprio Deus que a preparou, antes dos séculos. 
Existe uma misteriosa correspondência entre a espera de Deus e a de Maria, a criatura «cheia de graça», totalmente transparente ao desígnio de amor do Altíssimo. 

Aprendamos dela, Mulher do Advento, a viver os gestos quotidianos com um espírito renovado, com o sentimento de uma profunda expectativa, que só a vinda de Deus pode cumular.

Bento XVI

Uma cruz



"O frei Filipe leva a cruz da Rosário!"
"Não. A cruz da Rosário não a posso levar. Quanto muito, esta cruz pode-me lembrar a cruz da Rosário e rezar por ela".
....
Nós, cristãos, não poderíamos ter outro símbolo que nos dissesse tanto. É da cruz que Cristo reina, é na cruz que nós encontramos o conforto e a esperança para os nossos sofrimentos e para os sofrimentos do mundo. 

Já que não nos podemos crucificar, ao menos podemos agarrar-nos ao Crucificado e à sua cruz.
A cruz leva-nos ao amor de Deus. 
A cruz leva-nos ao sofrimento do outro. A cruz dos outros faz de nós Cireneus.

Hoje, sexta-feira, no hospital, deparei-me com várias cruzes: confissões, preocupações, angústias, dores... uma senhora numa cama, já ausente, que entrega a sua vida a Deus, como Jesus o fez. Filhas preocupadas com a saúde da mãe, cada vez mais frágil. Curiosamente outras filhas também preocupadas com o pai. 

Sinto que a minha humilde e pobre ajuda é a de ser Cireneu. 
Ajudar, mais com a oração do que com as palavras, a que entremos nestes mistérios que nos assaltam. 

Não vale a pena muitas perguntas; aceitar a cruz é a resposta.
A mais antiga oração de Sexta-feira, que nós conhecemos, é muito pequena. Diz somente isto: "Nós te adoramos e bendizemos ó Cristo, porque com a tua cruz remiste o mundo".

Fr. Filipe, op

"Não busquem consolos humanos. Consolem-se apenas em Deus, por meio da oração."

Quando o Natal se aproxima...


Enquanto aguardamos as “festas de fim de ano”, nós vivemos numa perspectiva venturosa e promissora. 

O tempo em que estamos vivendo, normalmente, já é um tempo de preparativos, de arrumação e de expectativa. É nessa época que costumamos providenciar algumas coisas que estão faltando, na nossa casa, no nosso guarda roupa, na nossa garagem, etc. etc. 

 Enquanto aguardamos as “festas de fim de ano”, nós vivemos numa perspectiva venturosa e promissora. 

No entanto,precisamos também a preparar a casa da nossa alma e do nosso coração para esse tempo feliz. E nos recomenda com palavras bem claras: “é hora de despertar. A noite já vai adiantada, o dia vem chegando”! 

É hora de acordar para perceber o que precisa mudar na nossa vida, nas nossas atitudes, na nossa maneira de nos comportar. A salvação de Jesus bate à nossa porta, o reino de Deus está próximo, no entanto, só iremos experimentá-lo se, realmente, abraçarmos a fé. 

Precisamos perceber se as nossas ações são provenientes das trevas ou se elas estão dando testemunho da luz de Jesus. 
Muitas pessoas no tempo do Natal refletem um semblante de tristeza e melancolia porque ainda não entenderam o verdadeiro sentido desta celebração. 

O Natal é tempo de renovação espiritual para acolher mais uma vez Aquele que veio nos tirar, das situações de tristeza e de desânimo. 
Quando vivenciamos o Natal somente na “glutoneria (que é comer exageradamente) e na bebedeira, nas orgias sexuais, imoralidades, brigas e rivalidades”, como diz São Paulo, nós nos tornamos infelizes e permanecemos nas trevas da tristeza, da depressão, do fracasso, do medo. 

Despojemo-nos, pois, das ações das trevas e procedamos honestamente como em pleno dia. Vivamos um Natal diferente, cuidemos do nosso corpo, mas não nos esqueçamos de arrumar a manjedoura do nosso coração. 

Jesus está chegando mais uma vez e dando-nos a oportunidade de ficar para sempre na nossa vida. 

Reflitamos:
– Como você está se preparando para “as festas de fim de ano? 
– Você já percebeu que a noite está adiantada e logo virá o dia claro? 
– Você está preparado para viver esse dia? 
– Para você o que significa Natal?

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