quarta-feira, 14 de maio de 2014

Deus dá a graça a quem permanece firme Nele.


Ninguém segura o poder de Deus! 
Dispersos e espalhados por vários lugares por causa da perseguição por conta da morte de Estevão, os discípulos tiveram a oportunidade de anunciar a boa nova de Jesus também em outras cidades, aos judeus e, também, aos gregos. 
O que aparentemente era considerado uma derrota, foi ao contrário, um ensejo de crescimento para a Igreja de Jesus. 

A obra do Senhor se realiza na medida em que somos fiéis e permanecemos confiantes na missão mesmo que “aparentemente” as coisas não estejam dando certo. Deus é quem coloca no nosso coração o ardor missionário que faz com que possamos cumprir o mandamento de Jesus: “Ide e evangelizai”! 

Podemos perceber isto também no dia a dia da nossa vida. 

Quando estamos cheios do Espírito Santo a perseguição e as dificuldades nos desacomodam e nos desinstalam nos fazendo caminhar e crescer. 
Todas as dificuldade pelas quais passamos são para nós ocasião de perceber a força de Deus em nós e, assim, firmados na Sua palavra, dar ao mundo um testemunho de vida nova. Deus dá a graça a quem permanece firme Nele. 
O Espírito Santo é quem nos sustenta e nos capacita! 

Deus tem um plano a realizar a partir da nossa compreensão para as coisas que nos são humanamente incompreensíveis. 
Precisamos compreender e avaliar se as dificuldades pelas quais estamos passando, atualmente, estão sendo para nós motivo de crescimento ou se estamos nos apavorando diante dos desafios. 

Se estivermos firmes no Senhor, com certeza, nós também poderemos nos alegrar e continuar a viver confiantes nos planos de Deus. 
 - Você entende isso? 
Quanto mais somos perseguidos mais oportunidade temos de crescer? 
– A dificuldade faz você criar mais coragem ou o (a) desestimula? 
– Você atualmente está passando por alguma dificuldade? 
– Avalie o seu crescimento por causa dela!

um novo caminho

domingo, 11 de maio de 2014

Oração das mães


Sois, meu Deus, o Criador e verdadeiro Pai dos meus filhos.

De vossas mãos os recebi cheios de vida,
como a dádiva mais preciosa que me podíeis ter dado
e que vossa bondade conserva para minha consolação e alegria.

Agradeço-vos de todo o coração,
e consagro-vos inteiramente a mim mesma e aos meus filhos,
para que vos sirvamos e vos amemos sobre todas as coisas.

Abençoai-nos, Senhor, enquanto eu, em vosso nome, os abençoo.

Não permitais que, por negligência da minha parte,
venham ele a se desviar do bom caminho.

Velai sobre mim para que eu possa velar sobre eles
e educá-los no vosso santo temor e na vossa lei.

Fazei-os dóceis, obedientes, inimigos do pecado,
para que não vos ofendam jamais.

Colocai-os, Senhor de bondade,
sob a maternal proteção de Maria Santíssima,
para que ela os proteja sempre.

Afastai deles as doenças, a pobreza
e as impurezas demasiado perigosas.

Livrai-os de todas as desgraças
e perigos da alma e do corpo
e concedei-lhe todas as graças
que sabeis serem-lhes necessárias,
a fim de que sejam bons filhos,
bons cristãos e fiéis servidores da pátria.

Fazei, Senhor, que possamos um dia,
encontrar-nos todos reunidos na celeste Igreja triunfante.
Ámem.

domingo, 4 de maio de 2014

Maria, mulher virtuosa


Por virtudes entendemos aqueles hábitos bons que tornam as faculdades da alma capazes de executar com prontidão e deleite tudo o que, na ordem natural e pedido pela reta razão, e tudo a que, na ordem sobrenatural, somos convidados por Deus a realizar.

Elas se classificam em Teologais e Morais. Porém, como as Virtudes morais são numerosíssimas, podemos reduzi-las às quatro virtudes chamadas Cardeais, que sustentam todas as outras virtudes morais. 

Nossa Senhora teve todas as virtudes e em grau excepcional, mas vamos refletir aqui o que a doutrina diz sobre o modo como Maria viveu as Virtudes teologais e as virtudes Cardeais:

MARIA E AS VIRTUDES TEOLOGAIS:

a) A Fé em Maria – Sua fé foi submetida:
- A prova do invisível: Viu Jesus no estábulo de Belém e acreditou que era o Filho de Deus; – A prova do incompreensível: Viu-O nascer no tempo e acreditou que Ele é eterno;
- A prova das aparências contrárias: Viu-O finalmente maltratado e crucificado e creu que Ele realmente tinha todo poder.
Plenamente livre, Maria praticou sempre a virtude da Fé, por ser perfeitamente submissa a Deus e não nutrir nenhum tipo de pretensão orgulhosa contra o direito soberano que Deus tem de nos revelar a verdade quando e como julgar necessário.
Maria reconhecia acima de si Deus, como único incapaz de se enganar ou nos enganar.

b) A Esperança em Maria:
Da fé, brota a Esperança de que para Deus, que é
fiel, jamais é impossível levar todo acontecimento a um bom fim. A esperança não é uma inércia, mas uma certeza operosa que nos faz “agir como se tudo dependesse de nós, mas esperar os resultados sabendo que este depende dEle”. Foi na esperança que Maria:
- Guardou segredo até de José, quanto à filiação divina de Jesus, sabendo que o próprio Deus é quem o explicaria;
- Empreendeu generosamente a longa e fatigante viagem de Nazaré a Belém, e refugiou-se num estábulo para dar à luz o seu divino Filho.
Desprovida de meios humanos, praticou concretamente a esperança na ajuda divina, que não tardou a chegar. Ela estava obedecendo a Deus, e sabia que podia esperar Seu auxílio;
- Assim foi na fuga para o Egito, nas Bodas de Caná, quando mandou encher as talhas, etc.

c) A Caridade em Maria:
A caridade resume todas as virtudes. Maria amou em intensidade, duração e qualidade perfeitas. O amor por Deus e pela humanidade traspassou de tal modo sua alma, que não ficou parte alguma em seu ser que não tivesse se doado inteiramente à causa divina. Todos os homens são chamados a crescer na Caridade até à perfeição e inteira doação de si mesmo conforme o plano de Deus para sua vida.

AS QUATRO VIRTUDES CARDEAIS
a) A prudência - Esta virtude inclina nossa inteligência a escolher, em
cada ocasião, os meios mais aptos para se alcançar o fim necessário, subordinando-os sempre ao nosso fim último que é Deus.
Maria é chamada a Virgem Prudentíssima, porque realmente preencheu todas as condições necessárias para se praticar a virtude da prudência, que recebeu de Deus:
- Examinar com ponderação, o que não significa duvidar do interlocutor;
- Resolver com bom-senso, sem jamais perder de vista o fim último de todas as nossas ações, que deve ser a realização da vontade de Deus;
- Executar com exatidão, empregando os meios realmente aptos, e sobretudo, perseverando na fidelidade até o fim.
O maior exemplo disto é a Anunciação.

b) A Virtude da justiça em Maria: Segundo o próprio Jesus, a justiça consiste em dar Deus o que é de Deus. E o próprio S. Paulo esclarece a doutrina com as Palavras: “Que temos nós que não tenhamos recebido de Deus?.
Assim a virtude da justiça foi vivida por Maria na sua entrega total e absoluta a Deus, e aos homens por amor a Deus.

c) A Fortaleza de Maria - A Fortaleza cristã nasce, cresce e vive no meio dos maiores perigos, no meio das maiores dores.
Dois são seus atos principais: o empreender e o suportar coisas árduas, difíceis.
Santo Tomás de Aquino ensina que suportar coisas árduas é muito mais difícil do que empreendê-las.
O segundo ato de fortaleza é, portanto, muito mais difícil do que o primeiro.
Maria empreendeu, e abraçou uma vida cheia de enormes sofrimentos, e os suportou, não só com paciência, mas com alegria sobrenatural.

d) Maria e a prática da Temperança - Esta virtude nos faz sóbrios e castos aos olhos de Deus e também aos olhos do mundo. Porém, estreitamente relacionado com a prática da temperança está o fato de reconhecermos quem realmente somos, reconhecer quem é Deus, que realmente temos limites e dependemos inteiramente de Deus, para nos portarmos de acordo com este conhecimento e com nossas limitações.
Isto é que nos faz realmente, assumir a imagem e semelhança de Deus que apesar de não depender de limite algum, impõe a si mesmo os limites necessários para exercer o amor sem medida.
Se eu amo sem medida, eu limito meus direitos para que o outro possa viver feliz e ter o que necessita.
Não percamos jamais de vista estes segredos inigualáveis do exercício que Maria fez das Virtudes, pois todos nós temos enorme necessidade disto.

Texto Retirado do site http://www.ultimasmisericordias.com.br

A nossa cegueira espiritual


Nós também vivemos hoje tal qual os discípulos de Emaús! 
Conversamos sobre as coisas que ouvimos falar nas Escrituras, apreciamos as Suas mensagens, nos surpreendemos com os fatos e acontecimento, no entanto, o que lemos e aprendemos não nos induz a perceber que o próprio Jesus é quem caminha conosco e nos fala a todo o momento. 

Partilhamos a Sua Palavra como se ouvíssemos falar de algo que aconteceu há dois mil anos e como se fôssemos cegos, nós também não enxergamos Jesus que, pela Sua Palavra se faz presente na nossa história para mudar o rumo dos seus acontecimentos. 

Sempre estamos esperando que as coisas aconteçam em conformidade com o que já planejamos. 

Entendemos que não deveria haver choro, nem sofrimento, e que num passe de mágica as nossas dores deveriam desaparecer. 

Nunca admitimos o desencontro, o plano frustrado nem o que aconteceu fora dos nossos padrões de expectativa. 

Nós nos escandalizamos porque apesar de ser pessoas de oração e nos considerar cristãos verdadeiros, ainda não vimos se cumprirem na nossa vida as promessas que Deus já nos fez. 

Jesus hoje quer fazer conosco como fez com os discípulos de Emaús e se apresenta diante de nós com o poder da Sua ressurreição, e também nos repreende: “como sois sem inteligência e lentos para crer em tudo o que os profetas falaram!” 

Na realidade, como cristãos, nunca poderemos duvidar da Palavra de Deus, desde os profetas e até Jesus que veio nos revelar os mistérios do Pai. 
Nunca deveremos nos esquecer de que partilhamos Jesus na Eucaristia, e que é Ele próprio quem parte o Seu Corpo no Pão que sacia a nossa fome e eleva o Cálice do Seu Sangue que mata a nossa sede. 

Jesus Cristo se faz presente no nosso caminho de uma maneira muito sutil e também muito simples, quando participamos de uma Celebração Eucarística e comungamos o Seu Corpo e o Seu Sangue, quando meditamos na Sua Palavra, quando O adoramos no Santíssimo Sacramento. 

Da mesma forma como os discípulos de Emaus nós também sentimos que alguma coisa mudou no interior do nosso coração que arde em zelo mesmo que nada de extraordinário tenha acontecido. 

Precisamos ter mais consciência de que possuímos um verdadeiro manancial de salvação ao nosso dispor e que se assim quisermos Jesus nunca irá sair de perto de nós quando chegar a noite escura da desolação. 

A certeza de que realmente o Senhor ressuscitado está muito perto de nós, poderá mudar toda a nossa compreensão diante dos fatos que nos tiram do sério. 

Dessa forma, como os discípulos de Emaús, nós também poderemos anunciar ao mundo a Boa Nova da Ressurreição de Jesus dizendo: “Realmente, o Senhor ressuscitou e apareceu a mim”!

 - O que você tem apreendido com as Escrituras? 
– Você já percebeu que a Bíblia é o próprio Jesus nos instruindo a viver feliz? 
– Você tem consciência de que Jesus caminha muito perto de nós? 
– O que você sente quando O adora na Hóstia Consagrada? 
– Você se decepciona com os fracassos da sua vida ou espera a vitória final?

http://www.umnovocaminho.com/

sábado, 19 de abril de 2014

Que bonita é a nossa vocação de cristãos – de filhos de Deus!


Dá muitas graças a Jesus, porque por Ele, com Ele e n'Ele, tu podes chamar-te filho de Deus.

Se nos sentimos filhos predilectos do nosso Pai dos Céus – é o que somos! –, como é que não estamos sempre alegres? Pensa bem nisto.

Que bonita é a nossa vocação de cristãos – de filhos de Deus! –, que nos dá na terra a alegria e a paz que o mundo não pode dar!

Ut in gratiarum semper actione maneamus! Meu Deus, obrigado, obrigado por tudo: pelo que me contraria, pelo que não entendo, pelo que me faz sofrer.

Os golpes são necessários, para arrancar o que sobra do grande bloco de mármore. Assim esculpe Deus nas almas a imagem do Seu Filho. Agradece ao Senhor essas delicadezas!

Quando os cristãos passam maus bocados, é porque não dão a esta vida todo o seu sentido divino.

Onde a mão sente a picadela dos espinhos, os olhos descobrem um ramo de rosas esplêndidas, cheias de aroma.

São Josemaría Escrivá

sábado, 12 de abril de 2014

A semente


Sempre me perguntei: por que Jesus gostava tanto de usar o exemplo da semente para oferecer os seus ensinamentos? É o semeador que sai para semear. É o grão de mostarda que, embora muito pequeno, se transformará numa árvore. É o grão de trigo que, caído na terra, deve morrer para produzir frutos.

Até a fé, suficiente para arrancar uma amoreira e plantá-la no mar, é comparada, novamente, à pequena semente de mostarda. O que tem de tão extraordinário em uma semente? Esconde um segredo: o segredo da vida. Não é algo que vem pronto, nas suas dimensões e nas suas cores. Não é um produto acabado que se pode, ou não, comprar.

Uma semente é um projeto. Um projeto escondido. Precisa que alguém acredite, confie, tome cuidado, gaste tempo e carinho. Pode dar muito fruto, como pode não dar em nada. Mas a semente, plantada em terra boa, com a chuva no tempo certo, não vai falhar.

Tenho a impressão de que, hoje, estejamos correndo o perigo de esquecer o segredo da semente. Temos pressa demais.

Por que cozinhar, se já vendem comida pronta? Por que esperar se, correndo, chego antes? Por que perder tempo para pensar, se já me oferecem a resposta antes mesmo que eu formule a pergunta? É verdade que algumas coisas facilitam o nosso dia-a-dia, porém muitas vezes perdemos a poesia do crescimento.
Custa e traz angústia a lenta aprendizagem. Todos precisamos de tempo para aprender.

Se a semente desenvolve e ganha em solidez, nós, os humanos, ganhamos em segurança, auto-estima, caráter. É verdadeiramente nosso, somente aquilo que aprendemos aos poucos, caindo e levantando, errando e acertando, como quando começamos a andar e a falar.

A pressa nunca foi boa conselheira e nem boa professora. Hoje, por culpa de nós adultos e da sociedade estressada que criamos, as crianças querem queimar etapas. Se vestem como jovens e acham que podem agir como adultos. Poderiam curtir mais a infância. No entanto, nós, adultos, não deixamos. Nós temos pressa.

O segredo da semente está, portanto, no fato de ser um projeto que está sendo construído. Aos poucos, vai se formando, tomando corpo, está sempre em movimento. Um pequeno passo por vez, com mais uma meta à sua frente para alcançar.

Também projetos não faltam na nossa sociedade. Mas, às vezes, chegam grandes demais. Começam de cima para baixo. Querem que as pessoas corram, quando mal sabem engatinhar.

Conheço um homem que vendia espetinhos na rua. Demorou anos, e hoje é dono de bom um restaurante.

Outro, fez um grande empréstimo no banco e abriu logo uma pizzaria. Rapidamente teve que vender até a casa para pagar a dívida. Quis logo a árvore, em vez de plantar uma semente e acreditar que ia crescer. Não deu certo.

Por isso Jesus ensinou que o seu Reino é como uma semente. É bom, é necessário, que comece pequeno. Porque começa lá, no fundo do coração de cada um. Começa com um bom sentimento, depois com uma certeza. A certeza se transforma em decisão; e a decisão muda a nossa vida. A decisão é um exemplo de coragem e o exemplo é sempre contagiante.

Assim, o Reino cresce e ninguém consegue contê-lo. Não vem para dominar, mas para libertar. Não cresce para sufocar. Espalha os seus ramos para acolher a todos com a sua sombra, como uma árvore frondosa, cheia de folhas, flores e frutos, tudo no tempo certo. Quem teria pensado? A semente era tão pequena!

A fé não precisa ser grande, basta que seja verdadeira.

D. Pedro José Conti

Morrer para viver mais e melhor


O sentido da vida depende do sentido que damos à morte. Se a morte é vista como simples negação da vida e como tragédia biológica, então vale o que São Paulo já dizia: "comamos e bebamos, pois amanhã morreremos".

Mas há culturas que lhe deram um sentido mais alto. Ela é oportunidade de construir o próprio destino e de plasmar o mundo à nossa volta consoante um projeto civilizatório.

O cristianismo, por sua vez, propõe a sua representação da morte. Não contrária à vida, mas como uma invenção inteligente da vida para poder dar um mergulho radical na Fonte de toda vida. A morte não seria um fim-termo; mas, um fim-meta alcançado, um peregrinar rumo ao Grande Útero paternal e maternal que enfim nos acolherá definitivamente.

Dentro do cristianismo desenvolveu-se, com referência à morte, uma tradição de grande significação e de sentido de festa. Trata-se da tradição franciscana. Francisco de Assis conseguira uma reconciliação bem sucedida com todas as coisas, com as profundezas mais obscuras de nossa vida e com suas dimensões mais luminosas. Cantava a morte como irmã. Não como bruxa que nos vem arrebatar a vida, mas como irmã que nos introduz no reino da plena liberdade. Morreu cantando salmos e cantigas de amor da Provence.
Os franciscanos todos guardam esta herança sagrada na forma como celebram a morte de algum confrade, membro da comunidade. A mim, com frade (que ainda sou em espírito) me tocou vivenciá-lo inúmeras vezes. É simplesmente comovedor - uma pequena antecipação do novo céu e da nova Terra - dentro deste já cansado planeta. Ao se aproximar a morte do confrade, toda a comunidade se reúne ao redor de seu leito. Recitam-se salmos e orações, infundindo confiança ao moribundo para o Grande Encontro. No dia em que morre, à noite faz-se festa. É a chamada "recreação". Ai há confraternização, comida, bebida, comentários sobre a saga pessoal do confrade falecido e jogos de vários tipos.

No dia seguinte faz-se o enterro. E à noite, nova "recreação" festiva. O que se esconde atrás desse rito de passagem? Esconde-se a crença de que a morte é o vere dies natalis, o verdadeiro Natal da pessoa, o momento em que acaba de nascer definitivamente. Como não estamos ainda prontos, embora inteiros, cada dia vamos nascendo, progressivamente, até acabar de nascer. Isso se dá na morte. Esta não é a campa da vida. É seu berço. Quem pode se entristecer com o nascimento da vida? É Natal e Páscoa, magnificação da vida mortal que a partir da morte se eterniza. Portanto, há bons motivos para festejar e celebrar.

O efeito desta compreensão é a desdramatização da morte e a jovialidade da vida. A vida não foi criada para terminar na morte, mas para se transformar através da morte. Esta representa aquele momento alquímico de passagem para uma outra ordem de realidade, onde a vida pode continuar sua trajetória de expressão das infinitas possibilidades que contem, até aquela de poder se fundir com a Suprema Realidade.

Então podemos dizer: não vivemos para morrer. Morremos para viver mais. Melhor ainda: para permitir a ressurreição da carne que é a revolução dentro da evolução.

Leonardo Boff