quarta-feira, 17 de setembro de 2014

O sábio não perde tempo com lamentações


Jesus nos alerta para que não sejamos como “crianças mimadas” que não sabem o que querem e não se conformam com o que possuem. 
A comparação com “crianças que se sentam nas praças” é uma referência às nossas infantilidades quando duvidamos das ações de Deus na nossa vida, quando cobramos Dele coisas que na maioria das vezes dependem primeiramente de nós. 
 
Não queremos perceber os Seus sinais, somos insatisfeitos e, desejamos que todas as coisas, aconteçam de acordo com a nossa vontade sem mesmo saber qual é, na verdade, o motivo pelo qual nós as pedimos e as esperamos. 

Não temos convicção de quem somos nem do que queremos e qual é o ideal da nossa vida. Reclamamos de tudo e não aproveitamos o momento atual para apreender, mesmo que seja com o sofrimento ou com a bonança, na alegria ou na tristeza. 

Somos nós essas crianças que não sabem o que querem nem tampouco do que precisam e se justificam pondo a culpa nos outros. 
Nunca assumimos as nossas carências, deficiências, leviandades, mudanças de humor e de opinião e há sempre alguém que é o nosso algoz, o réu, o acusado. 

Cada fato e acontecimento da nossa existência, quando enxergado com os olhos de Deus contém o seu aprendizado. Às vezes perdemos as graças que o Senhor nos dispensa porque não sabemos “entender os sinais dos tempos”. 

O negativo na maioria das vezes prevalece aos nossos olhos, não sabemos enxergar as luzes acesas e olhamos somente para as luzes que estão apagadas. 
Ainda não nos dispusemos a abrir o coração e perceber o reino de Deus que está dentro de nós. Sábio, portanto, é aquele que acolhe a palavra de Deus sem protesto e sem discussão. 

O sábio não perde tempo com lamentações, nem lamúrias. 
Somos “filhos da sabedoria” quando nos deixamos envolver pelo mistério da piedade, o mistério da Fé em Jesus Cristo, sem questionar ou murmurar. Jesus quer que sejamos “filhos da sabedoria”, que possamos sentir o cheiro de Deus em todos os acontecimentos da nossa vida. 

Mas ainda há tempo para que nós formemos uma geração diferente da geração do tempo de Jesus aqui na terra! 

- Essa história tem alguma coisa a ver com você? 
– Você é eternamente uma pessoa insatisfeita ou já enxerga o dedo de Deus na sua vida? 
– Você faz parte também dessa geração de crianças que não sabem o que querem? 
– Quem será o (a) culpado (a) por você nunca melhorar nem crescer? 
- Você se ajusta com facilidade aos fatos da sua vida ou você tem dificuldade de mudança?


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Como Zaqueu



Senhor,
subo à arvore para Te ver,
mas estou tão importante,
no meu ser,
que não Te consigo encontrar!

Fixo bem o meu olhar,
mas nada vejo,
porque o meu coração,
cheio de mim,
muito pouco sabe amar.

Por um momento,
vejo-Te,
cruzam-se os nossos olhos,
e eu fico inundado de uma paz,
de uma alegria,
que me enche por completo.

Nasce em mim uma vontade,
de não ser,
como agora sou,
mas de me converter totalmente,
ao que o Teu olhar 
me chamou.

Desço de mim,
abro-Te o coração,
dou-Te a chave da minha vida,
para que nela possas morar.

Descanso em Ti,
deixo que me envolvas,
que me ames,
como só Tu 
sabes amar.

Acalmo todo o meu ser. 

Senhor,
se Tu me habitas e amas,
que mais da vida 
posso eu querer?

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

O professor que não regava as mudas


Havia, certa vez, um velho, professor aposentado, que morava em um sítio e gostava de plantar mudas de árvores. O seu sonho era fazer do sítio um bosque.

Mas este professor era diferente dos outros sitiantes. Ele não regava as mudas que plantava. Regava apenas no começo, até pegarem. Esta sua atitude intrigava a sabedoria dos vizinhos.

Ele explicava: “Se eu regar, elas ficam mimadas. Não regando, a vida delas se torna difícil, têm de aprofundar as raízes em busca de umidade. Assim, um vento forte não as derrubará”. Além de não regar, de vez em quando ele batia nas plantas com jornal enrolado.

Anos depois, o velho faleceu. O seu sítio tornou-se realmente um bosque muito bonito. Mas um bosque diferente. Quando a seca era prolongada, as árvores dos sítios vizinhos perdiam as folhas, mas aquelas não. Se dava um temporal, nenhuma árvore caía, mesmo quando muitas vizinhas caíam.

Árvores regadas todos os dias gostam de ser bem servidas e paparicadas. Sempre que sopra um vento frio, elas tremem.O interessante é que as árvores daquele professor pareciam preferir a adversidade e a privação, ao conforto e à tranquilidade.

As pessoas gostavam de fazer confraternizações embaixo delas. Isso porque, ao contrário das outras, aquelas árvores aprenderam a beber café sem açúcar.

Uma mãe, vizinha daquele sítio, sempre pedia a Deus, para seus filhos uma vida fácil e sem sofrimentos. Ao contemplar aquelas árvores, mudou a sua oração. Os ventos gelados são inevitáveis e as tempestades também. Ela passou a rezar para que as raízes dos seus filhos fossem profundas, a fim de encontrarem a umidade necessária para vencer as adversidades.

Nossos instintos foram feridos pelo pecado. Precisamos domá-los, e isso nos custa sacrifícios, treinamento e penitência.“Eu castigo o meu corpo e o trato com dureza, para não acontecer que eu proclame a mensagem aos outros, e eu mesmo seja reprovado” (1Cor 9,27).

João Batista foi um profeta que cresceu numa vida austera, vivendo no deserto e fazendo penitência. Só podia dar no que deu: Coragem… martírio.

Maria Santíssima também levou vida austera e foi uma profetiza corajosa. Ela fez denúncias claras: “O Senhor mostrou a força de seu braço. Dispersou os soberbos de coração. Derrubou do trono os poderosos e elevou os humildes. Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias” (Lc 1,51-53). Ela enfrentou sacrifícios, como vemos na longa caminhada que fez, pela região montanhosa, para ajudar a prima Isabel. 
Santa Maria, rogai por nós!

Pe. Queiróz

Nesta vida, é necessário ser paciente…


“A paciência vos é necessária, a fim de que fazendo a vontade de Deus alcanceis a promessa”
(Hb 10, 36)

Deu-nos Deus a Santíssima Virgem como exemplar de todas as virtudes, mas especialmente da paciência. Semelhante à rosa, ela cresceu e viveu sempre entre os espinhos da tribulação.

Se, portanto, quisermos ser filhos desta Mãe, força é que procuremos imitá-la, abraçando com resignação as cruzes; e não somente as que nos vierem diretamente de Deus, mas também as que vierem da parte dos homens, tais como sejam as perseguições e os desprezos.

Na paciência possuireis as vossas almas

Sendo esta terra um lugar de merecimentos, chama-se com razão vale de lágrimas. 
Todos somos aqui postos para padecer e fazer, por meio da paciência, aquisição das nossas almas para a vida eterna, como já disse o Senhor:  — “Na paciência possuireis as vossas almas”.

Deus nos deu a Virgem Maria para exemplar de todas as virtudes, mas especialmente da paciência. Pondera entre outras coisas São Francisco de Sales, que foi exatamente para este fim que nas bodas de Caná, Jesus Cristo deu à Santíssima Virgem aquela resposta, com que mostrava estimar pouca as suas súplicas:

 — “Que há entre mim e ti, mulher?” Foi exatamente para nos dar o exemplo da paciência da sua Santa Mãe.

Toda a vida de Maria foi um exercício continuo de paciência; porquanto, como o Anjo revelou a Santa Brigida, a Bem-aventurada Virgem, semelhante à rosa, cresceu e viveu sempre entre os espinhos das tribulações.

E quanto ela sofreu, tanto na viagem para o Egito e na demora ali, como durante todo o tempo que viveu com o Filho na oficina de Nazaré, não cansemos de apreciá-lo dignamente.

Se desejamos ser filhos de Maria, é preciso que procuremos imitá-la na paciência, suportando em paz tanto as cruzes que nos vierem diretamente de Deus, isto é, a pobreza, as desconsolações espirituais, a enfermidade e a morte; como também as que nos vierem diretamente da parte dos homens, perseguições, desprezos, injúrias e seduções.

S. Gregório explicando este trecho de Oséias: “Fecharei o teu caminho com espinhos”, diz que assim como a sebe de espinhos guarda a vinha, assim Deus cerca de tribulações os seus servos, para que não se afeiçoem ao mundo.

De modo que, conclui São Cipriano, a paciência é a virtude que nos livra do pecado e do inferno, e enriquece-nos com merecimentos na vida presente e com a glória na outra. 
— É a paciência que faz os Santos, como diz São Tiago

Por esta razão, São João viu todos os Santos com palmas (símbolo do martírio) nas mãos; o que significa que todos os adultos que se salvam, devem ser mártires, ou de sangue ou de paciência.

“Alegremo-nos, pois”, exclama São Gregório: “se sofrermos com paciência as penas desta vida, podemos ser mártires, sem o ferro dos algozes.”

Oh, quanto nos aproveitará no céu cada pena sofrida por amor de Deus! — Se alguma vez o peso da cruz se nos afigurar demasiadamente duro, recorramos a Maria, que é chamada a medicina dos corações angustiados e a consoladora dos aflitos.

Ah! Senhora minha suavíssima! Padecestes inocente com tanta paciência, e eu, réu do inferno, recusarei padecer?

Minha Mãe, peço-vos hoje esta graça, não de ficar livre das cruzes, mas de suportá-las com paciência. Por amor de Jesus vos peço, que sem tardar me alcanceis de Deus esta graça; de vós a espero.

http://www.aascj.org.br/

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Um mundo sem Cruz seria um mundo sem esperança


A Cruz fala a todos os que sofrem – oprimidos, doentes, pobres, marginalizados, vítimas da violência - e assegura-lhes a esperança de que Deus pode transformar o seu sofrimento em alegria, o isolamento em comunhão, a morte em vida. 
A Cruz oferece uma esperança ilimitada ao nosso mundo decaído. 

É por isso que o mundo precisa da Cruz.
A Cruz não é um símbolo privado de devoção, não é um distintivo de sócio de um grupo qualquer. 
No seu significado mais profundo, não tem nada que ver com a imposição pela força de um credo ou de uma filosofia.

A Cruz fala de esperança, fala de amor, fala da vitória da não violência sobre a opressão; fala de Deus que eleva os humildes, dá força aos impotentes, faz superar as divisões, vencer o ódio com o amor.

Um mundo sem Cruz seria um mundo sem esperança, um mundo em que a tortura e a brutalidade permaneceriam desenfreados, o fraco seria explorado e a avidez teria a última palavra. 

A desumanidade do homem em relação ao homem manifestar-se-ia de modo ainda mais horrendo e não teria fim o círculo vicioso da violência. 
Só a Cruz põe um termo a tudo isso.

Bento XVI

Sabem qual é o nosso problema?


É o fato de estarmos fechados nos nossos mundinhos, centrados no nosso umbigo e prisioneiros dos nossos interesses e opiniões pessoais.

Vivemos mergulhados em filosofias, negócios e ocupações que nos preenchem totalmente e nos afastam de Deus.

Andamos distraídos, arrogantes e presunçosos.

Aparentemente livres, mas, afinal, prisioneiros do nosso eu e gradualmente insensíveis aos sinais de Deus.

Homens e mulheres com coração de pedra em vez de carne…

Numa palavra: pagãos!

Falta-nos a humildade e simplicidade de coração. E falta-nos também a coragem para nos submetermos ao que é maior do que nós e deixar que Deus – presente aqui e agora - nos ame.

Aura Miguel

Aquela que abriu as portas do céu

“Aquela que abriu as portas do céu para nos salvar tem poder para abrir e fechar as portas deste mundo”.

Eu vos contarei um milagre sobre isso. Pelo que li e acreditei – aconteceu no Alcácer, onde uma muito boa cristã vivia e confiava na Virgem mais do que tudo.

Por amor a Nossa Senhora, sempre ia aos sábados a uma igreja para rezar e levar uma oferenda.

Em meio a muitas ocupações, um dia ela se esqueceu de que era sábado e ao se dar conta do ocorrido, já era demasiado tarde.

Arrependida, ela foi à igreja com o intuito de entrar, mas como o povoado ficasse longe da igreja, encontrou suas portas já fechadas ao chegar, e se pôs a rezar e a chorar do lado de fora.

Terminada a sua oração, viu as portas abertas, e, maravilhada, pois ninguém as abrira, dirigiu-se ao altar e depositou ali a sua oferenda.

Ao deixar os umbrais da igreja, percebeu as portas se fecharem por si mesmas e, pasmada, tomou às presas o caminho de volta ao povoado.


Eis que ao chegar junto às suas muralhas pôde perceber que já se encontravam fechadas, pelo que – eu vos garanto por São Dionísio – se afligiu muito, mas recorreu como de costume a Nossa Senhora e as mesmas lhe foram abertas.

Nesse momento, uma formosa e nobre senhora tomando-a pela mão com grande contentamento a fez entrar na cidade conduzindo-a até a sua casa.

Antes de entrar em sua casa, perguntou à senhora:

– “Quem és tu, Senhora, que tanto bem fizeste a uma pobre mulher como eu?”

Ao que ela, com muita graça, respondeu:

– “Eu sou Aquela que socorre em seus males àqueles que precisam de Mim, Aquela que Deus escolheu para se encarnar”.

Quando a boa mulher ouviu isso, prosternou-se aos pés da Senhora para beijá-los, mas Ela desapareceu, deixando-a muito desconsolada.

Entrou então em sua casa e, no dia seguinte, saiu para contar o acontecido a todo mundo.

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